terça-feira, 14 de maio de 2013

Câncer de colo de útero

Câncer de colo de útero, também conhecido por câncer cervical, é uma doença de evolução lenta que acomete, sobretudo, mulheres acima dos 25 anos. O principal agente da enfermidade é papilomavírus humano (HPV), que pode infectar também os homens e estar associado ao surgimento do câncer de pênis.
Antes de tornar-se maligno, o que leva alguns anos, o tumor passa por uma fase de pré-malignidade, denominada NIC (neoplasia intraepitelial cervical), que pode ser classificadaem graus I, II, III e IV de acordo com a gravidade do caso.
Embora sua incidência esteja diminuindo, o câncer de colo de útero ainda está entre as enfermidades que mais atingem as mulheres e levam a óbito no Brasil.
Felizmente, as estatísticas estão mostrando que 44% dos casos diagnosticados no País são de lesão in situ precursora do câncer, que ainda está restrita ao colo e não desenvolveu características de malignidade. Nessa fase, a doença pode ser curada na quase totalidade dos casos.
 
Tipos de tumor
Os dois tipos mais frequentes de tumor maligno de colo de útero estão associados à infecção pelo HPV. São eles: os carcinomas epidemoides (80% dos casos) e os adenocarcinomas (20% dos casos).
 
Fatores de risco
A infecção pelo HPV, responsável pelo aparecimento das verrugas genitais, representa o fator de maior risco para o surgimento do câncer de colo de útero. Apesar de existir mais de uma centena de subtipos diferentes desse vírus, somente alguns estão associados ao câncer de colo uterino. São classificados como de alto risco os subtipos 16, 18, 45, 56; de baixo risco, os subtipos 6,11,41,42 e 44 e de risco intermediário, os subtipos  31, 33, 35, 51 e 52.
Podem ser citados, ainda, como fatores de risco:
1) início precoce da atividade sexual;
2) múltiplos parceiros sexuais ou parceiros com vida sexual promíscua;
3) baixa da imunidade;
4) cigarro;
5) más condições de higiene.
 
Sintomas
Nas fases iniciais, o câncer de colo de útero é assintomático. Quando os sintomas aparecem, os mais importantes são: 1) sangramento vaginal especialmente depois das relações sexuais, no intervalo entre as menstruações ou após a menopausa; 2) corrimento vaginal (leucorreia) de cor escura e com mau cheiro.
Nos estágios mais avançados da doença, outros sinais podem aparecer. Entre eles, vale destacar: 1) massa palpável no colo de útero; 2) hemorragias; 3) obstrução das vias urinárias e intestinos; 4) dores lombares e abdominais; 5) perda de apetite e de peso.
 
Diagnóstico
A avaliação ginecológica, a colposcopia e o exame citopatológico de Papanicolaou realizados regular e periodicamente são recursos essenciais para o diagnóstico do câncer de colo de útero. Na fase assintomática da enfermidade, o rastreamento realizado por meio do Papanicolaou permite detectar a existência de alterações celulares características da infecção pelo HPV ou a existência de lesões pré-malignas.
O diagnóstico definitivo, porém, depende do resultado da biópsia. Nos casos em que há sinais de malignidade, além de identificar o subtipo do vírus infectante, é preciso definir o tamanho do tumor, se está situado somente no colo uterino ou já invadiu outros órgãos e tecidos (presença de metástases). Alguns exames de imagem (tomografia, ressonância magnética, RX de tórax) representam recursos importantes nesse sentido.
 
Prevenção
A prevenção do câncer de colo de útero está diretamente associada ao esclarecimento e avanço educacional da população a respeito dos fatores de risco e de como evitá-los.  Dada a importância do diagnóstico precoce, as mulheres precisam ser permanentemente orientadas sobre a necessidade de consultar o ginecologista e fazer o exame de Papanicolaou nas datas previstas, como forma de identificar possíveis lesões ainda na fase de pré-malignidade.
No entanto, a vacinação das meninas  nos primeiros anos de vida contra o HPV continua sendo medida preventiva bastante eficaz, apesar de não proteger contra todos os subtipos do vírus.
 
Vacinas
Existem duas marcas de vacinas aprovadas para prevenir a infecção por determinados subtipos do HPV, alguns deles responsáveis pela maioria dos casos de câncer de colo uterino.
A vacinação é recomendada para meninas ainda na infância, em três doses, antes do início da atividade sexual.  No entanto, como ainda não há vacinas contra todos os subtipos do vírus, que são muitos, mulheres já vacinadas devem continuar fazendo o exame preventivo de rastreamento, o Papanicolaou, que é oferecido também pelo SUS nas Unidades Básicas de Saúde.
 
Tratamento
Parte das mulheres sexualmente ativas, que entra em contato com o HPV, pode debelar a infecção espontaneamente ou com tratamento médico pertinente. Caso isso não ocorra, o tratamento tem por objetivo a retirada ou destruição das lesões precursoras pré-malignas.
No entanto, uma vez confirmada a presença de tumores malignos, o procedimento deve levar em conta o estágio da doença, assim como as condições físicas da paciente, sua idade e o desejo de ter, ou não, filhos no futuro.
A cirurgia só deve ser indicada, quando o tumor (carcinoma in situ) está confinado no colo do útero. De acordo com a extensão e profundidade das lesões, ela pode ser mais conservadora ou promover a retirada total do útero (histerectomia).
A radioterapia externa ou interna (braquiterapia) tem-se mostrado um recurso terapêutico eficaz para destruir as células cancerosas e reduzir o tamanho dos tumores. Apesar de a quimioterapia não apresentar os mesmos efeitos benéficos, pode ser indicada na ocorrência de tumores mais agressivos e nos estádios avançados da doença.
 
Recomendações
* Não existe idade mínima para as meninas receberem as vacinas disponíveis contra a infecção pelo HPV, apesar de a orientação ser ministrá-la a partir dos 9 anos de idade;
* Toda mulher precisa estar consciente de que o exame de Papanicolaou realizado periodicamente representa uma estratégia de rastreamento do câncer de colo uterino que pode salvar vidas.
* Nunca é demais ressaltar, que o uso da camisinha em todas as relações sexuais é um cuidado indispensável contra a infecção não só pelo HPV, mas também por outros agentes de doenças sexualmente transmissíveis.
 
Dr. Dráuzio Varella

Pólipo uterino

O que é:

Um pólipo uterino é a formação de um tecido anormal na camada interna do útero que dependendo da sua localização pode causar dificuldades para engravidar. Estes pólipos são geralmente benignos e são mais vistos em mulheres na faixa etária dos 30 aos 50 anos.


 

Sintomas de pólipo uterino

O principal sintoma de pólipo uterino é o sangramento anormal durante a menstruação, com uma quantidade maior de perda de sangue. Os pólipos uterinos podem ainda causar uma perda sanguínea entre as menstruações e até mesmo depois da menopausa.
Dependendo da sua localização e do seu tamanho, eles também podem causar dor durante a menstruação, mas esta pode ser confundida com uma cólica menstrual comum.

Diagnóstico do pólipo uterino

Os pólipos uterinos são diagnosticados através de uma utrassonografia pélvica, embora alguns não sejam facilmente detectados.

Causas do pólipo uterino

As causas do pólipo uterino ainda não foram esclarecidas. Contudo, as mulheres que possuem mais risco de desenvolver são as obesas, hipertensas ou que tenham casos semelhantes na família.
A terapia de reposição hormonal também aumenta o risco de desenvolvimento dos pólipos uterinos.

Tratamento para pólipo uterino

O tratamento vai depender da gravidade da situação, é possível o uso de supressores hormonais e fazer uma raspagem em toda a parede uterina (curetagem) ou caso a mulher não deseje filhos, pode-se optar por retirar o útero, ato cientificamente chamado de histerectomia. A recorrência de recidiva e em torno de 5%. Geralmente na fase proliferativa. Encaminhar para exame histopatológico. Os pólipos com hiperplasia atípica são lesões precursoras de câncer.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

CONSULTA DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO À GESTANTE

A consulta de enfermagem é uma atividade independente, realizada privativamente pelo enfermeiro, e tem como objetivo propiciar condições para a promoção da saúde da gestante e a melhoria na sua qualidade de vida, mediante uma abordagem contextualizada e participativa. O profissional enfermeiro pode acompanhar inteiramente o pré-natal de baixo risco na rede  básica de saúde, de acordo com o Ministério de Saúde e conforme garantido pela Lei do Exercício Profissional, regulamentada pelo Decreto nº 94.406/87.
 
Durante a consulta de enfermagem, além da competência técnica, o enfermeiro deve demonstrar interesse pela gestante e pelo seu modo de vida, ouvindo suas queixas e considerando suas preocupações e angústias. Para isso, o enfermeiro deve fazer uso de uma escuta qualificada, a fim de proporcionar a criação de vínculo. Assim, ele poderá contribuir para a produção de mudanças concretas e saudáveis nas atitudes da gestante, de sua família e comunidade, exercendo assim papel educativo.
 
Os enfermeiros e os enfermeiros obstetras (estes últimos com titulação de especialistas em obstetrícia) estão habilitados para atender ao pré-natal, aos partos normais sem distócia e ao puerpério em hospitais, centros de parto normal, unidades de saúde ou em domicílio. Caso haja alguma intercorrência durante a gestação, os referidos profissionais devem encaminhar a gestante para o médico continuar a assistência.
 
Prestar assistência humanizada à mulher desde o início de sua gravidez – período quando ocorrem mudanças físicas e emocionais, época que cada gestante vivencia de forma diferente – é uma das atribuições da enfermagem nas equipes de AB. Outras atribuições são também a solicitação de exames complementares, a realização de testes rápidos e a prescrição de medicamentos previamente estabelecidos em programas de saúde pública (como o pré-natal) e em rotina aprovada pela instituição de saúde. As atividades da(o) parteira(o) são exercidas sob supervisão de enfermeiro obstetra quando realizadas em instituições de saúde e, sempre que possível, sob controle e supervisão de unidade de saúde quando realizadas em domicílio ou onde se fizerem necessárias.
 
 
 
Enfermeiros devem:
 
Orientar as mulheres e suas famílias sobre a importância do pré-natal, da amamentação e da vacinação;Realizar o cadastramento da gestante no SisPreNatal e fornecer o Cartão da Gestante devidamente preenchido (o cartão deve ser verificado e atualizado a cada consulta)Realizar a consulta de pré-natal de gestação de baixo risco intercalada com a presença do(a) médico(a)Solicitar exames complementares de acordo com o protocolo local de pré-natal;
 
Realizar testes rápidos;
 
Prescrever medicamentos padronizados para o programa de pré-natal (sulfato ferroso e ácido fólico, além de medicamentos padronizados para tratamento das DST, conforme protocolo da abordagem sindrômica)Orientar a vacinação das gestantes (contra tétano e hepatite B);
 
Identificar as gestantes com algum sinal de alarme e/ou identificadas como de alto risco e encaminhá-las para consulta médica. Caso seja classificada como de alto risco e houver dificuldade para agendar a consulta médica (ou demora significativa para este atendimento), a gestante deve ser encaminhada diretamente ao serviço de referência
 
Realizar exame clínico das mamas e coleta para exame citopatológico do colo do útero;
 
Desenvolver atividades educativas, individuais e em grupos (grupos ou atividades de sala de espera);
 
Orientar as gestantes e a equipe quanto aos fatores de risco e à vulnerabilidade;
 
Orientar as gestantes sobre a periodicidade das consultas e realizar busca ativa das gestantes faltosas;
Realizar visitas domiciliares durante o período gestacional e puerperal, acompanhar o processo de aleitamento e orientar a mulher e seu companheiro sobre o planejamento familiar.

CATAPORA

A Catapora ou Varicela é uma doença infecciosa causada pelo vírus varicela. Embora a doença seja comum na infância (até os 10 anos), nem sempre é benigna e pode causar sérias complicações e lesões secundárias como: pneumonias, meningite, artrite e até infecções renais. A melhor maneira de prevenir a doença é através da vacina.
 
 
Transmissão/Contaminação
O vírus da varicela é transmitido através de contato direto, da saliva ou secreções respiratórias da pessoa infectada, espalhando-se pelo vento. O vírus da doença pode evoluir entre 5 à 7 dias e sua incubação pode durar de 10 à 15 dias. A transmissão começa dois dias antes do aparecimento da doença e só termina quando vão embora.
Com o aumento do ar seco, a proliferação da catapora fica ainda mais susceptível. O ministério da Saúde registrou os maiores números de catapora no Brasil durante os meses de agosto à outubro, entre o final do inverno e início da primavera.
 
Sintomas
O tempo médio de duração dos sintomas é de uma semana. Após dias de febre alta, começam aparecer os primeiros sinais, que normalmente são:
  • Febre alta;
  • Queda do estado geral;
  • Dor de cabeça;
  • Dor no corpo;
  • Cansaço;
  • Mal estar.
Além de manchas avermelhadas na pele, parecidas com picadas de inseto, que depois formam vesículas (bolhas cheias de líquidos transparentes que coçam bastante).
 
Prevenção e tratamento
O tratamento deve ser feito com repouso, isolamento e cuidado com as bolhas, para evitar infecções secundárias.
A vacina (método preventivo), que não é inclusa no calendário público, pode ser encontrada facilmente em clínicas particulares por um custo médio de R$ 150,00 (cento e cinquenta reais). A imunidade induzida pela vacina é de longa duração, talvez vitalícia: estudos japoneses mostram persistência da imunidade 20 anos após a vacinação.
A maioria dos estudos publicados indicam que a cada ano após a vacinação, cerca de 1 a a 3% das crianças vacinadas podem desenvolver uma erupção discreta conhecida como síndrome varicela-like leve, após exposição significante ao vírus da varicela. A frequência e a gravidade desses casos não aumentam com o passar do tempo após a vacinação.
 
Gestantes
A vacina é contra indicada na gravidez e ao se vacinar mulheres em idade fértil deve-se recomendar que a gravidez seja evitada durante um mês.
 
Cuidados
  • Evitar a contaminação das lesões por bactérias;
  • Não coçar as feridas, evitando a infecção e cicatrizes;
  • Adultos ou pessoas debilitadas, requerem ainda mais cuidados.

domingo, 14 de abril de 2013

Sorologia para HIV

Estima-se que mais de 33 milhões de pessoas em todo o mundo estejam atualmente contaminadas com o vírus HIV. Anualmente, entre 2,5 e 3 milhões de novas pessoas se infectam com o vírus. Cerca de 1/3 dos indivíduos contaminados não sabem que são portadores do HIV, pois nunca realizaram um teste para o diagnóstico, chamado sorologia para o HIV.

Desde a década de 1980 quando os primeiros testes para o HIV foram desenvolvidos, muita coisa mudou, principalmente em relação à janela imunológica, que inicialmente era de até 6 meses e hoje caiu para menos de 1 mês.
A sorologia para o HIV é um teste muito importante, pois o diagnóstico precoce aumenta as chances do paciente viver de modo saudável por muitos anos com vírus. Além disso, saber que é portador do HIV reduz risco de transmissão para outras pessoas.

Este artigo abordará os seguintes pontos sobre os testes de diagnóstico para o HIV:

  • Tipos de testes disponíveis.
  • Janela imunológica atual.
  • Quando repetir o exame para HIV.
  • Falso positivo para HIV.
  • Falso negativo para HIV.
  • Teste rápido para HIV.
Tipos de teste para HIV atualmente disponíveisExistem dois tipos de exames para detectar o HIV: o teste rápido para HIV e a sorologia tradicional.

Sorologia para HIV

A sorologia tradicional existe desde 1985 e é conhecida como ELISA (Enzyme-Linked Immunoabsorbent Assay). O ELISA pode ser usado para várias doenças além do HIV, sendo uma técnica que permite a detecção de anticorpos específicos no sangue. Neste tipo de teste não se pesquisa diretamente a presença do vírus, mas sim a existência de anticorpos contra o mesmo. Existem outras metodologias além do ELISA para se detectar anticorpos contra o vírus HIV, como o MEIA, EQL e ELFA e CMIA, mas o ELISA ainda é o método mais popular, por isso vou me ater apenas a ele.

A lógica do exame é simples, só haverá anticorpos contra HIV no sangue se o paciente tiver sido contaminado pelo vírus. Pessoas que nunca tiveram contato com o HIV não têm como desenvolver anticorpos contra o mesmo. O nosso sistema imune só consegue produzir anticorpos contra uma determinada doença se tiver sido previamente exposta ao seu agente causador, seja ele um vírus ou bactéria.

Os anticorpos são proteínas produzidas com o objetivo de combater agentes infecciosos específicos. Uma vez que o vírus HIV tenha entrado em nosso organismo, ele é imediatamente capturado pelas células de defesa e sua estrutura é analisada. A partir desta análise, o sistema imune torna-se capaz de produzir anticorpos diretamente voltados para combater este invasor. Sempre que entramos em contato com algum germe pela primeira vez, o corpo demora algum tempo para analisar sua estrutura e produzir anticorpos específicos. Porém, uma vez reconhecido, o paciente terá anticorpos para o resto da vida. Um anticorpo contra o HIV só ataca o vírus do HIV, ele é inócuo para outras infecções, como por exemplo, gripe ou catapora.

O tempo que decorre entre o momento da contaminação por um vírus e a produção de anticorpos suficientes para serem detectados na sorologia é chamado de janela imunológica. Portanto, quando falamos que um teste tem uma janela imunológica de 3 meses, isto significa que o exame só dará positivo 3 meses depois do paciente ter entrado em contato com o determinado vírus ou bactéria.

Nas últimas décadas a sorologia para HIV evoluiu muito. A primeira geração, usada na década de 1980 demorava até 6 meses para conseguir detectar anticorpos Hoje já estamos na 4º geração do ELISA, que é superior às gerações antigas pelo fato de não só identificar anticorpos contra o HIV mais precocemente, como também pesquisar o antígeno P24, uma proteína existente no vírus HIV. O ELISA 4ª geração é, portanto, um teste duplo que procura por anticorpos e pelo próprio vírus. Deste modo, a janela imunológica é bem mais curta e o teste consegue detectar infecções com menos de 4 semanas (em alguns casos em até 2 semanas).

A sorologias atuais procuram pela presença de anticorpos contra o HIV-1 (subtipo mais comum e agressivo) e HIV-2 (subtipo menos contagioso e menos agressivo).

Liberação do resultado para o paciente

Atualmente a taxa de falso negativo, ou seja, resultados negativos em pacientes positivos, para o ELISA é de 0,001%, se o teste for feito respeitando a janela imunológica de 1 mês. Isto significa que um teste para HIV negativo feito por um ELISA de 4ª geração é um resultado muito confiável. Cabe ressaltar, novamente, que é preciso respeitar a janela imunológica.

ELISA NEGATIVO PARA HIV: sempre que um paciente faz uma sorologia para HIV e o ELISA é negativo, este resultado é liberado para o paciente sem necessidade de outros testes. O protocolo indicado é fornecer o resultado com a seguinte frase: "Amostra Não Reagente para HIV".

ELISA POSITIVO PARA HIV: quando ELISA fornece um resultado positivo para o HIV, ele precisa ser confirmado por um outro exame, que pode ser um dos três métodos:
- Western blot
- Imunoblot
- Imunofluorescência indireta para o HIV-1

O resultado positivo somente é liberado se o exame confirmatório também for positivo. O Western blot, por exemplo, tem uma acurácia de 99,7%. Quando temos dois resultados positivos (ELISA + WB) a chance de falso positivo é desprezível.

O resultado positivo nas duas técnicas é liberado como: "Amostra Reagente para o HIV".

ELISA INDETERMINADO: algumas vezes o ELISA apresenta um resultado duvidoso, sendo incapaz de afirmar se há ou não a presença de anticorpos no sangue. Nestes casos com resultado indeterminado, o laboratório costuma entrar em contato com o paciente para solicitar uma nova amostra de sangue para que o teste possa ser refeito. O laudo do laboratório costuma referir: "Amostra Indeterminada para HIV". Este fato significa que houve um problema técnico com a amostra, que a tornou incapaz de fornecer um resultado confiável.

Quando o ELISA é positivo, mas o teste confirmatório com Western blot é negativo, o resultado também é liberado como "Amostra Indeterminada para HIV". Nestes casos, o paciente deve retornar ao laboratório em 30 dias para colher nova amostra de sangue.

Alguns fatores aumentam o risco de um resultado indeterminado, entre eles gravidez, presença de doenças autoimune e vacinação recente contra gripe.

Quando é necessário repetir um exame não reagente?

O exame não reagente para HIV é geralmente um resultado definitivo. Como já referido, se respeitada a janela imunológica de 1 mês, o risco de falso negativo é muito baixo. Porém, se o paciente acha que foi contaminado ou foi exposto a uma situação com elevado risco de contaminação, como sexo desprotegido ou acidentes com agulhas, sugere-se a repetição do teste após 30 dias. Se esta situação de risco aconteceu com alguém sabidamente HIV, ou seja, se o paciente tem certeza que foi exposto ao vírus HIV, sugere-se que o teste não reagente seja repetido duas vezes, uma aos 3 meses e outra aos 6 meses, para se descartar os raros casos de conversão tardia. É importante salientar que mesmo nos pacientes expostos ao HIV, um teste inicial negativo torna o risco de contaminação muito baixo. A repetição é indicada apenas porque há casos raros de seroconversão tardia e casos ainda mais raros de falso negativo (não existe exame laboratorial 100% perfeito).

Nos pacientes que fazem o teste para HIV apenas por rotina ou sem que tenha havido uma situação de risco relevante, um único resultado negativo é suficiente, não sendo necessária a repetição do exame.

Teste rápido para HIV

Os testes rápidos para HIV ganharam bastante popularidade a partir dos anos 2000. O teste rápido é aquele capaz de liberar o resultado em apenas 30 minutos. Este teste pode ser feito com uma pequena amostra de sangue colhida através de um furinho no dedo ou através da saliva, dependo do tipo de teste usado.

Os testes rápidos pra HIV têm uma sensibilidade um pouco menor do que os testes sorológicos tradicionais, porém, ainda assim, a sua taxa de falso negativo é baixíssima. Portanto, um resultado negativo no teste rápido tem o mesmo valor do resultado negativo na sorologia tradicional. Um resultado positivo deve ser confirmado pelo sorologia tradicional.

Em geral, indica-se o teste rápido naqueles casos onde deseja-se um resultado rápido. Ele é importante, por exemplo, para profissionais que se acidentam com agulhas (neste caso o teste é feito no profissional e no paciente) ou em grávidas que chegam em trabalho de parto sem terem realizado exames pré-natais.

Os pacientes com exposição ao HIV ou com comportamento de risco recente devem dar preferência ao teste tradicional, pois este ainda é o melhor exame para o HIV.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Memória


A memória é a capacidade de adquirir (aquisição), armazenar (consolidação) e recuperar (evocar) informações disponíveis, seja internamente, no cérebro (memória biológica), seja externamente, em dispositivos artificiais (memória artificial).
A memória focaliza coisas específicas, requer grande quantidade de energia mental e deteriora-se com a idade. É um processo que conecta pedaços de memória e conhecimentos a fim de gerar novas idéias, ajudando a tomar decisões diárias.
Os neurocientistas (psiquiatras, psicólogos e neurologistas) distinguem memória declarativa de memória não-declarativa. A memória declarativa, grosso modo, armazena o saber que algo se deu, e a memória não-declarativa o como isto se deu.
A memória declarativa, como o nome sugere, é aquela que pode ser declarada (fatos, nomes, acontecimentos, etc.) e é mais facilmente adquirida, mas também mais rapidamente esquecida. Para abranger os outros animais (que não falam e logo não declaram, mas obviamente lembram), essa memória também é chamada explícita. Memórias explicitas chegam ao nível consciente. Esse sistema de memória está associado com estruturas no lobo temporal medial (ex: hipocampo, amígdala).
Psicólogos distinguem dois tipos de memória declarativa, a memória episódica e a memória semântica. São instâncias da memória episódica as lembranças de acontecimentos específicos. São instâncias da memória semântica as lembranças de aspectos gerais.
Já a memória não-declarativa, também chamada de implícita ou procedural, inclui procedimentos motores (como andar de bicicleta, desenhar com precisão ou quando nos distraímos e vamos no "piloto automático" quando dirigimos). Essa memória depende dos gânglios basais (incluindo o corpo estriado) e não atinge o nível de consciência. Ela em geral requer mais tempo para ser adquirida, mas é bastante duradoura.
Memória, segundo diversos estudiosos, é a base do conhecimento. Como tal, deve ser trabalhada e estimulada. É através dela que damos significado ao cotidiano e acumulamos experiências para utilizar durante a vida.
Memória de curto prazo

Depende do sistema límbico, envolvido nos processos de retenção e consolidação de informações novas. Hoje em dia também se supõe que a consolidação temporária da informação envolve estruturas como o hipocampo, a amígdala, o córtex entorrinal e o giro para-hipocampal, sendo depois transferida para as áreas de associação do neocórtex parietal e temporal. As vias que chegam e que saem do hipocampo também são importantes para o estudo da anatomia da memória. Inputs (que chegam) são constituídos pela via fímbria-fórnix ou pela via perfurante. Importantes projecções de CA1 para os córtices subiculares adjacentes fazem parte dos outputs (que saem) do hipocampo. Existem também duas vias hipocampais responsáveis por interconexões do próprio sistema límbico, como o Circuito de Papez (hipocampo, fórnix, corpos mamilares, giro do cíngulo, giro para-hipocampal e amígdala), e a segunda via projeta-se de áreas corticais de associação, por meio do giro do cíngulo e do córtex entorrinal, para o hipocampo que, por sua vez, projeta-se através do núcleo septal e do núcleo talâmico medial para o córtex pré-frontal, havendo então o armazenamento de informações que reverberam no circuito ainda por algum tempo.
Memória de trabalho
Compreende um sistema de controle de atenção (executiva central), auxiliado por dois sistemas de suporte (Alça Fonológica e Bloco de Notas Visuoespacial) que ajudam no armazenamento temporário e na manipulação das informações. O executivo central tem capacidade limitada e função de seleccionar estratégias e planos, tendo sua actividade relacionada ao funcionamento do lobo frontal, que supervisiona as informações. Também o cerebelo está envolvido no processamento da memória operacional, actuando na catalogação e manutenção das sequências de eventos, o que é necessário em situações que requerem o ordenamento temporal de informações. O sistema de suporte vísuo-espacial tem um componente visual, relacionado à região occipital e um componente espacial, relacionado a regiões do lobo parietal. Já no sistema fonológico, a articulação subvocal auxilia na manutenção da informação; lesões nos giros supramarginal e angular do hemisfério esquerdo geram dificuldades na memória verbal auditiva de curta duração. Esse sistema está relacionado à aquisição de linguagem.
Memória de longo prazo
  1. Memória explícita:
    Depende de estruturas do lobo temporal medial (incluindo o hipocampo, o córtex entorrinal e o córtex para-hipocampal) e do diencéfalo. Além disso, o septo e os feixes de fibras que chegam do prosencéfalo basal ao hipocampo também parecem ter importantes funções. Embora tanto a memória episódica como a semântica dependam de estruturas do lobo temporal medial, é importante destacar a relação dessas estruturas com outras. Por exemplo, pacientes idosos com disfunção dos lobos frontais têm mais dificuldades para a memória episódica do que para a memória semântica. Já lesões no
    lobo parietal esquerdo apresentam prejuízos na memória semântica.
  2. Memória implícita:
    A aprendizagem de habilidades motoras depende de aferências corticais de áreas sensoriais de associação para o corpo estriado ou para os núcleos da base. Os núcleos caudado e putâmen recebem projecções corticais e enviam-nas para o globo pálido e outras estruturas do sistema extra-piramidal, constituindo uma conexão entre estímulo e resposta. O condicionamento das respostas da musculatura esquelética depende do cerebelo, enquanto o condicionamento das respostas emocionais depende da amígdala. Já foram descritas alterações no fluxo sanguíneo, aumentando o do cerebelo e reduzindo o do estriado no início do processo de aquisição de uma habilidade. Já ao longo desse processo, o fluxo do estriado é que foi aumentado. O neo-estriado e o cerebelo estão envolvidos na aquisição e no planeamento das acções, constituindo, então, através de conexões entre o cerebelo e o tálamo e entre o cerebelo e os lobos frontais, elos entre o sistema implícito e o explícito.
  3.  

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Aplicativo para celular auxilia no diagnóstico da dengue

 
Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS) lançou no último dia 10 de dezembro, em Porto Alegre, aplicativo para smartphones e tablets que auxilia no diagnóstico e tratamento da dengue. Realização da UNA-SUS, o aplicativo “UNA-SUS Dengue” é um complemento do Curso de Atualização do Manejo Clínico da Dengue e foi desenvolvido pela equipe UNA-SUS da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

O aplicativo funciona como uma espécie de calculadora que leva em consideração idade, sexo, peso e os sintomas apresentados pelo paciente. Com ele, médicos poderão fazer a definição automática da conduta a ser adotada de acordo com as características fisiológicas e sintomas de cada um. Com o aplicativo, é possível ainda calcular a reposição de líquidos de maneira customizada e fazer a descrição das características que classificam os pacientes nos grupos de risco da Dengue.

Compatível com as plataformas Android, iPhone e iPad, o “UNA-SUS Dengue” tem download gratuito e apresenta também uma sessão de dicas relacionadas ao tratamento e prevenção da doença. “Essa ferramenta permite que os médicos apliquem os protocolos atuais de manejo da Dengue, presentes no curso autoinstrucional, lançado em maio deste ano”, complementa Alessandra.

Link para o aplicativo “UNA-SUS Dengue” na Google Play Store - http://migre.me/ckiLp

Curso de Atualização do Manejo Clínico da Dengue - Resultado de uma parceria entre o Ministério da Saúde e a Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS), o curso já capacitou mais de 1.600 profissionais de saúde desde maio deste ano, quando foi lançado. O objetivo da iniciativa é fazer com os profissionais da atenção básica e da urgência e emergência aprendam ou se aperfeiçoem no diagnóstico e tratamento da dengue.

A expectativa é de que a capacitação dos profissionais, por meio de quatro casos clínicos que ocorrem comumente no dia a dia, possibilite uma redução ainda maior dos casos graves e da mortalidade pela doença O curso é composto por módulos, totalmente autoinstrutivo, não há tutores, podendo ser feito diretamente pela internet. São quatro casos clínicos a serem solucionados pelos participantes. Cada caso deve demandar, em média, 15 minutos para ser completado, podendo estender-se de acordo com a necessidade de pesquisa dentro do conteúdo do curso.

A plataforma à distância também é compatível com smartphones. Assim, o profissional de saúde poderá acessar o conteúdo via Ipad ou Iphone. Outra opção é efetuar o download do conteúdo e desenvolver o curso sem acesso à rede, por computador ou celular.

Link para inscrição: http://www.unasus.gov.br/Dengue